sexta-feira, 24 de julho de 2009

Pensar dá trabaho

Estava eu, dia desses, num de meus grupos de atendimento terapêutico com crianças, quando propus um jogo da memória.
Lá pelas tantas, uma menina de 6 anos, levou vários minutos para fazer a sua escolha pela segunda pecinha que deveria desvirar, a fim de encontrar o par correto. Disse a ela que teria o tempo que quisesse para decidir-se, e acredito que ela estava levando a cabo minhas palavras.
Um outro garotinho, do alto de seus cinco anos e pouco - e, vale destacar, de comportamento um tanto quanto "inquieto" - observava atentamente a expressão da menina. Ela franzia a testa e, comprimindo os lábios, parecia esforçar-se, aproximando o dedo que serviria para virar a peça do jogo da boca.
Eis que, depois de cerca de um minuto e tanto, o menino volta-se para mim e pergunta, intrigado:
- O que ela tá fazendo? Tá pensando? - fazendo uma cara de que tratava-se de algo que não estava acostumado a ver.
...

Depois de assistir "El baño del papa", um filme bem bom (que o Maninho e a Bela me recomendaram), e que não guarda particularidades com este texto, mas sobre o qual, em outra ocasião, procurarei falar.

domingo, 21 de junho de 2009

Dos dias de sol

Tem dias que acho que a relação entre coisas a se fazer e vontade de fazer nada são diretamente proporcionais...
Especialmente, quando temos domingos de sol, doidinhos para serem aproveitados de maneiras mais poéticas que em frente a um computador...
Ai, ai...

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Coisas boas e de graça

Segue uma breve lista de coisas boas, seguindo as idéias adaptadas para a vida moderna de listar tudo na vida.
Para facilitar a busca e para organizar de maneira mais didática as informações aos leitores, propõe-se a divisão em subitens.


1. Coisas boas de fazer:

- Dar risada

- Atender às necessidades fisiológicas

- Viajar

- Assistir naturezas bonitas em geral*

- Aprender


2. Coisas boas de se fazer para os outros**:

- Comida

- Segurar a bolsa no coletivo e outras gentilezas

- Segurar forte a mão quando o outro sente medo

- Emprestar coisas

- Ensinar


3. Coisas que se faz e fazem bem aos outros e a nós mesmos:

- Abraçar

- Beijar

- Conversar

- Cafuné

- Um poema

4. Coisas que parecem boas mas nem sempre o são:

- Cócegas

- Piadas

- Cola

- Xaveco

- Uma mãozinha***

* Nesta categoria entram pores-do-sol, estrelas e luas, bichinhos, paisagens, água, flores e, quiçá, um e outro ser humanozinho.

** Este item, vale pontuar, se assemelha bastante ao seguinte, uma vez que é difícil ver alguém bem e não se sentir assim também.

*** A chave para compreender este item consiste na figura de linguagem que guarda...
Ouvindo "American recordings", Johnny Cash.

quarta-feira, 4 de março de 2009

Poema minutos

Quanta poesia pode haver num pôr-do-sol!
O céu, pintado de cores de matizes diversos, prende a atenção do mais racional dos homens por alguns minutos.
Nestes dias, em que tem feito bastante calor, o céu vem se exibindo muito colorido.
E traz na lembrança um dia inteiro...

segunda-feira, 2 de março de 2009

Da janelinha

Ontem, um menino acenou para mim. Eu estava dentro ônibus, sentada na janelinha.
Eu respondi ao aceno.
As janelinhas nos proporcionam esse tipo de coisas.

sábado, 28 de fevereiro de 2009

(pequenos) pudores e prazeres

Engraçado que, à medida que vamos envelhecendo, vamos perdendo alguns pudores... Bem, pelo menos é isso que vem acontecendo comigo.
Antes, eu ria de quem cantava alto enquanto ouvia walkman (sim, ainda era a época do walkman). Achava rídiculo falar sozinho e meio esquisito rir à toa. Queria sumir se a roupa que usava não estava adequada ao ambiente. Não gostava de assumir que não sabia de algo que todo mundo sabia e fingia estar por dentro do assunto quando este era tema.
Hoje, as coisas estão um pouquinho diferentes... Volta e meia me pego cantarolando por aí alguma cançãozinha, ainda que não esteja ouvindo nada. Assim como adoro ler algo e rir no meio de todo mundo - meio como uma sensação de fuga de todo o resto caótico.
Quanto à roupa, saio com uma que me faça sentir bem naquele dia (sim, naquele dia, porque o humor varia e minha idéia de mim mesma e do mundo também, de um dia para outro). E fico com ela o resto do dia. E, às vezes, até bem de noite. E, melhor que me adequar aos lugares, procuro por lugares que se adequem a todo o sentido que vem junto com os raios dos panos que visto.
Se o assunto me foge, pergunto. Descobri o prazer imenso contido na humildade da ignorância. Me torna mais humana, sabem?
E, desde que notei esse meu processo de amadurecimento, comecei a perceber mais pôres-do sol e céus mais coloridos que antes, aqui mesmo, em São Paulo.
E sorrio, quase sempre que os vejo.
Adoro essa felicidade besta...
Ouvindo "Brova barama (Kriti); Ragam - Bahaduri; Talam - Adi" de L. Subramaniam - na Last FM

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Sobre Cinderela e outras modernidades antigas

Tenho o prazer de trabalhar com algo que me empolga. Afora diversos elementos motivadores de crises mais constantes do que o ideal, o que faço me faz sentir comprometida com transformações e responsável por mais que somente meu umbigo.
Trabalho com crianças; as adoro. De maneira geral, temos um bom relacionamento (possivelmente porque nos identificamos). Gosto de livros, também, e vez por outra, incluo a contação de histórias na minha rotina laboral.

Semana passada li Cinderela para um grupo de uns dez. As meninas, claro, e os meninos mais novos que pediram (os mais velhos achavam a capa rosa demais).
Lá pelas tantas, história já decorada, comecei a divagar...

Lembram-se de Cinderela, caros leitores?
Aquela que de boa filha tornou-se criada amarrotada pela madrasta e as filhas invejosas. E que, pelas mãos da fada madrinha (sonho de qualquer um, uma fada madrinha só sua), teve a oportunidade de perder um calçado nas escadarias do castelo do bonitão Príncipe. Este, por sua vez, apaixonado e determinado em encontrar o pé amado, com todo o resto, enfim, sai pelo reino calçando donzelas enlouquecidas por galgar posições sociais.

Ok, pra quem ainda não lembrou do resto, ele encontra a tal da Cinderela e casa com ela, ponto. Tem a parte do viveram felizes pra sempre (que eu duvido um pouco, mas está lá) e fim.

Agora vamos à reflexão: gente, eles não sabiam o nome um do outro! Ele teve que caçar a coitada pelo sapato fedido (sim, fedido, afinal não me digam que ela dançou a noite toda, com aquele vestidão pesado e um sapato de vidro no pé e não suou aos borbotões) e ela só chamava o dito cujo pelo genérico "Príncipe".
E depois são os jovens modernos que saem beijando por aí, sem ao menos saber os nomes de batismo? E esses dois que, em 1967, resolvem se casar?

Ai, ai, ai...

O novo e o velho, assim como as demais contradições diretas, só existem, um em função do outro...


Ouvindo: "Olhar pra frente", Cachorro Grande.